O que é ótimo vem do meu passado.
Assim como uma adega, as melhores safras estão bem armazenadas e engarrafadas, basta um gole de algumas lembranças e tudo que foi regado à dedicação e carinho aparece no conjunto da obra, nas notas, no aroma, no bouquet. Embriaga-me de satisfação, me enche de orgulho e saudade.
Pequenas pérolas para meu paladar, para meu coração... tenho estado nostálgica, tenho estado nos anos 80. Teve algo que se perdeu lá? Teve algo que eu aprendi lá e que nunca mais esqueci que era bom. Juventude, vontade, amizade, naquela época eu era mais adulta, acredito que mais do que fui com 25.
Sorte minha "adega" ser climatizada, ter um acervo bastante grande, pra todos os momentos, pra todos os ânimos, sorte ela ter ISO porque soube resgatar como fazer bons vinhos, recuperar uma arte. Saber cativar, cultivar, plantar sementes, agüar mudas, aprender a podar, esperar crescer, ter paciência com a entressafra, e mesmo uma safra ruim, quem sabe, misturando com a do ano que vem ela ainda venha dar um bom vinho.
No final de tudo, nada mais é que, lidar com o tempo. Entender sua arte e seus mistérios. Superar nossos próprios entendimentos pela pouca acomodação e pelo questionamento constante. Tentar ser todo mundo e manter a coesão.
Dificil como apreciar um bom vinho, dificil como fazer um bom vinho, difícil como entender que o melhor vinho do mundo nunca deva ser aberto.
quinta-feira, 20 de março de 2008
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